Mieloma Múltiplo

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer do sangue que se origina nas células chamadas plasmócitos, que ficam na medula óssea (o “miolo” dos ossos). Em condições normais, essas células ajudam a nos defender, produzindo anticorpos contra infecções. No mieloma, porém, alguns plasmócitos passam a se multiplicar de forma descontrolada e produzem uma proteína anormal que não funciona como deveria.
Com o tempo, esse acúmulo de células doentes pode causar alguns problemas, como dor óssea (principalmente nas costas ou costelas), fraqueza, anemia, aumento do cálcio no sangue e alterações nos rins. Mas é importante destacar: nem todos os pacientes apresentam todos esses sintomas, e muitos casos são descobertos em fases iniciais, o que ajuda bastante no controle da doença.
Hoje em dia, a forma de encarar o mieloma múltiplo mudou muito. Os avanços no tratamento foram enormes nas últimas décadas, sendo um capítulo de sucesso da nossa Medicina. Com os atuais tratamentos, a maioria dos pacientes conseguem viver com excelente qualidade e por muitos anos. O mieloma hoje é controlado com o tratamento como se fosse uma condição crônica, como a hipertensão arterial e diabetes.
O tratamento do mieloma múltiplo é bastante individualizado, ou seja, depende da idade do paciente, do estado geral de saúde e das características da doença. Em geral, usamos uma combinação de medicamentos modernos, que atuam de formas diferentes para controlar o mieloma.

Abaixo trazemos alguns exemplos:
1. Imunomoduladores
Esses medicamentos ajudam o próprio sistema imunológico a combater as células doentes. Eles também dificultam o crescimento do mieloma diretamente. Exemplos conhecidos incluem lenalidomida e talidomida.
Eles são muito importantes tanto no início do tratamento quanto na fase de manutenção, ajudando a manter a doença sob controle por mais tempo.
2. Inibidores de proteassoma
Essas drogas bloqueiam um “sistema de reciclagem” dentro das células doentes. Como as células do mieloma produzem muita proteína, elas dependem muito desse sistema. Quando ele é bloqueado, essas células acabam morrendo.
Entre os principais exemplos estão bortezomibe, carfilzomibe e ixazomibe. São medicamentos bastante eficazes e fazem parte dos esquemas mais utilizados atualmente.
3. Corticoides
Medicamentos como a dexametasona são usados em praticamente todos os esquemas. Eles ajudam a matar as células do mieloma e também potencializam o efeito das outras drogas.
4. Anticorpos monoclonais
Essa é uma das áreas mais modernas e promissoras. Esses medicamentos são como “mísseis guiados”: reconhecem proteínas específicas nas células do mieloma e ajudam o sistema imune a destruí-las.
Exemplos incluem daratumumabe e isatuximabe. Eles têm melhorado bastante os resultados dos tratamentos, inclusive em pacientes mais idosos.
5. Outras terapias
Existem ainda outras classes, como os anticorpos biespecíficos como o teclistamabe e o talquetamabe, e os anticorpos droga-conjugados, como o belantamabe; Há vários novos medicamentos em desenvolvimento, ampliando cada vez mais as opções terapêuticas.
Transplante de medula óssea autólogo
O transplante autólogo (ou seja, usando as próprias células do paciente) é um procedimento bastante consolidado e seguro.
Após uma fase inicial de tratamento para controlar a doença, coletamos células-tronco do próprio paciente. Depois, é feita uma quimioterapia em dose mais alta para eliminar o máximo possível das células do mieloma. Em seguida, as células coletadas são devolvidas ao paciente para “reconstruir” a medula óssea.
Esse procedimento não é uma cirurgia. Ele costuma aumentar a profundidade da resposta e prolongar o tempo de controle da doença. Muitos pacientes ficam longos períodos sem sinais de atividade do mieloma após o transplante.
Terapia com CAR-T cells
A terapia com CAR-T cells representa uma das maiores revoluções recentes no tratamento do mieloma.
Nessa estratégia, células de defesa do próprio paciente (linfócitos T) são coletadas e modificadas em laboratório para reconhecer e atacar especificamente as células do mieloma. Depois disso, essas células “treinadas” são reinfundidas no paciente. É como se o sistema imunológico recebesse um "upgrade" altamente especializado.
Essa terapia tem mostrado resultados impressionantes, especialmente em pacientes que já passaram por vários tratamentos. Em muitos casos, consegue reduzir a doença a níveis muito baixos ou até indetectáveis.
Talvez a mensagem mais importante seja esta: o mieloma múltiplo hoje é uma condição que, na grande maioria dos casos, ao receber os atuais tratamentos, pode ser controlado e mantido em remissão por vários anos.
Continuamente temos novos tratamentos sendo pesquisados para o mieloma com resultados cada vez mais promissores.
Novas drogas, novas combinações e novas formas de imunoterapia estão sendo desenvolvidas o tempo todo.
Em resumo: o mieloma múltiplo deixou de ser uma sentença curta e passou a ser em geral uma condição com excelente controle e qualidade de vida com os atuais tratamentos.
Texto elaborado por Dr. Dr. Matheus Lopes Puls, Médico Hematologista especialista em transplante de medula óssea da Equipe BIO SANA’S, Hospital São Camilo Pompéia e IBCC Oncologia (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer).
#Leucemias #TMOIBCC #TMOHSCP #concientizaçãoemleucemia
Para saber sobre transplante de medula óssea, basta clicar no link abaixo:
https://www.biosanas.com.br/post/160/quais-as-etapas-do-transplante-de-medula-ossea-tmo

